Os noveleiros de plantão já devem ter identificado de cara de onde vem a expressão que acabei de utilizar no título desta coluna. Provavelmente eles também já ficaram rosa chiclete, ou quem sabe, verde hortelã de curiosidade pelo assunto. Não tá entendendo nada? Eu explico. Estas gírias são usadas na novela Caras e Bocas, pelos personagens Bianca e Cássio. Este último ainda usa mais uma que caiu no gosto popular: choquei!
Há anos o público adere as expressões lançadas nos folhetins e faz estas gírias se tornarem parte da linguagem popular. O sucesso de audiência de Caminho das Índias pode ser comprovado também através disto, ou vai dizer que você não conhece alguém que vive convidando para tomar um “thai” ou dizendo “are baba”, “tic”, “narin”, e outras palavras indianas?
Em 2009 as novelas estão mais carregadas do que nunca destas expressões. Apenas Paraíso, trama que se passa numa cidade interiorana, não possui tantas gírias, até porque os personagens ainda usam o sotaque com o “erre” carregado. Mesmo assim, de vez em quando, alguém faz referência ao “fio do demô” ou a “santinha”.
Cada novela deixa na lembrança pelo menos uma expressão diferente. Quem não se lembra de “Stop, Salgadinho” e “Não é brinquedo não”?. Ou então da “catiguria” da Bebel em Paraíso Tropical? Ou quem sabe “tô certo ou tô errado”, do Sinhozinho Malta, e ainda, “cada mergulho é um flash”?,
Mas não são só as novelas que se utilizam desses bordões. No Zorra Total, programa de humor da Globo, também é assim: “vem cá, te conheço?”, “to pagaaando” e “só abro a boca quando eu tenho certeza” são alguns dos que fizeram mais sucesso até hoje. Em Toma Lá Dá Cá a palavra maravilhoso foi abreviada e agora tudo é “mara”. Porém, as mais recentes de todas e que estão até mesmo no vocabulário das crianças, são as gírias do programa Pânico da TV. Christian Pior foi um dos pioneiros ao chamar os entrevistados de “colega” e fazer brincadeiras ao cumprimentar as pessoas. Mas quem ficou conhecido mesmo foi o personagem Zina com o seu clássico “Ronaldo! Brilha muito no Curintia”. A gíria ficou conhecida nacionalmente e está na ponta da língua de qualquer pessoa.
Depois dessa aula de história da gíria já deu pra perceber que muitas palavras normais estão fora de moda. Hoje para aceitar um convite não basta dizer sim. Tem que inovar na resposta. E aí? Topa? Por que não? “Vamo caí pra dentro”.
*Texto publicado na minha coluna "O mundo da Lua", no Caderno Q?, da Gazeta do Sul.